quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Confiança... desilusão…

Até onde pode ir o camuflar da mente de um ser humano, até onde poderá chegar essa mente humana para ultrapassar as barreiras das leis, dos ensinamentos e da cultura, daquilo que nos diferencia dos animais.
Porque será que olha-mos para aquele, que está ao nosso lado, e decidimos contar a eles os mais ínfimos detalhes da nossa vida?
O motivo é a “confiança”. Confiança esta, que pode ser criada ao longo do tempo, ou advém de características e atributos suficientes que nos induzem a acreditar.
A desilusão vem sempre depois da confiança!
Onde não houver confiança não poderá existir desilusão. Confia-se, pois acredita-se que podemos confiar, e só se acredita porque fomos induzidos a isso pela mente humana (a nossa e a da outra pessoa).
Isto acontece no mundo dos negócios, no mundo da política que também é um negócio e no mundo sentimental. Todo o sucesso que podemos conseguir nestas áreas depende de um elaborado trabalho mental.
Há dias li um livro em que do seu início até ao fim, a personagem principal fazia perguntas e dava as respostas que estava a questionar ao seu amigo. A história incidia entre a personagem principal e o seu melhor amigo, o qual havia crescido junto dele e com ele. Desde infância que se conheciam ao mais residual pormenor. Ele abriu-lhe as portas de sua casa logo em miúdo, eles eram como unha e carne. Mantiveram um relacionamento próximo entre os 5 e os 30 anos. Até que uma vez, depois de uma longa história ocorrida num só dia, o seu amigo desapareceu para só regressar, quando ambos tinham 70 e muitos anos. Quando estavam em fim de linha!
Para a ocorrer uma separação por tão longo período, não se voltarem a encontrar e após 50 anos, reencontrarem-se e reflectirem sobre o que levou àquele afastamento abrupto, o problema acaba por ter sido a quebra de confiança. Não foi a desconfiança por parte de quem partiu, mas de quem ficou! Mas tendo em conta o fim do livro, a dúvida se eternizará… Isto porque tal como na realidade, nós conhecemos a nossa própria mente, mas estamos impossibilitados de conhecer a do outro.
Era só um livro, uma história entre dois grandes amigos, mas o nosso mundo também assim! E eu tenho uma enorme facilidade em transpor aquilo que leio para a vida real.
Há uns dias, um ser humano foi brutalmente assassinado por um outro ser humano, em quem presumivelmente confiava, tendo em conta a história de vida que já haviam tido juntos.
Defendo que para sobrevivermos a este mundo de mentes, o segredo não passa por deixarmos de confiar, mas termos muito próximos e o sentimento de confiança com o da desilusão…


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