quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O impulso...

Observo como se de um por do sol se tratasse.
Ouço como se fosse a melodia mais doce que alguma vez ouvi.
Transformo-me como se um camaleão eu tivesse nascido.
Sorrio, com o puro encanto que me é transmitido.

Gosto de o sentir,
Adoro-o demonstrar,
O quanto eu sou capaz de a amar...

Um segredo que não é segredo,
A vontade que não se realiza,
O impulso que se contém,
Pelo olhar que não vem.

Imagino...
Sou bom a imaginar,
Onde vejo aproximar,
Suave e doce,
O seu olhar,
Penetrante,
Gesto meigo a encantar,
Humilde e submisso com rendição,
Ao encostar dos lábios, ficamos,
Parados,
Imobilizados,
Rendidos e perdidos.
O começo da sedução,
Movidos pela tentação,
Provocada,
Por um verdadeiro amor,
Vindo do meu coração.

Tão fácil é ao imaginar!
Aí eu consigo,
a beijar.





terça-feira, 5 de agosto de 2014

"Sentes do verbo sentir"

Não tenhas problemas, porque estas coisas são assim;
- Primeiro sentes muito, depois sentes falta e por fim não sentes nada...

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ignorância é felicidade?

Vindo de onde venho, observando o que me rodeia e reflectindo diariamente comigo mesmo, por várias vezes questiono;
- "a ignorância é felicidade?".
No meio de uma conversa irónica, com uma pitada de ofensividade mutua, num acto irreflectido saiu-me esta questão para com quem estava em debate. Não sendo uma pergunta alheia aos meus pensamentos, decidi debruçar-me sobre o tema mesmo sabendo que é um pouco complexo, de elevados significados e implicações filosóficas.

São muitos aos filmes onde esta questão acaba por ser levantada pelos personagens, principalmente naqueles filmes em que o ser humano não passa de uma marioneta, que pouco ou nada sabe sobre a "suposta verdadeira" realidade. Onde aqueles que vão descobrindo a verdade, também descobrem os perigos que correm após esse rompimento com a vida “normal”, onde mais tarde se questionam como tão mais felizes eram antes de saber a verdade.
Lembro-me de alguns filmes e até desenhos animados. O Matrix é aquele onde mais se faz notar os efeitos dessa descoberta. Nos desenhos animados é o Dragon Ball.
Quem nunca trilhou caminhos bem definidos para alcançar o conhecimento sobre "algo", e depois de alcançado, quando se olha para trás, chega-se à conclusão que, era mais feliz no tempo da ignorância sobre a matéria descoberta. 
- Como eu seria muito mais feliz se não soubesse a verdade!
  
Pois é bem verdade, conhecer, muitas vezes, é atormentador.
Há uma história bem interessante, sobre tudo isto, a história retrata alguém que conhece os dois lados da moeda: a ignorância e o conhecimento. 
Abaixo segue um excerto de um texto muito interessante sobre a teoria do conhecimento.
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O Filósofo Grego Platão, em sua Alegoria da Caverna, abordada a partir da Teoria do Conhecimento, ensina que a vida do ser humano pode ser divida em 3 etapas:
1º) A primeira etapa, a Agnosis, é a etapa da Ignorância, representada, em sua alegoria, por homens presos, desde a infância, no interior de uma caverna escura, olhando sombras reflectidas na parede, enquanto entendem ser esta a única realidade/verdade existente, já que não conheciam outra. Segundo Platão, todos os seres humanos, sem excepção, já nascem  nessa etapa, na ignorância. A maior parte das pessoas jamais sairão dela. Nascerão, viverão e morrerão na ignorância.
2ª) A segunda etapa, o Doxa, é a etapa da desconfiança ou opinião, representada na alegoria, pelo prisioneiro que consegue se libertar e olhar, pela primeira vez em sua vida, em outra direcção, para a entrada da caverna, quando percebe que existe algo além das sombras que entendia como a única verdade existente, porém, ainda não consegue discernir com clareza o que consegue ver no exterior da caverna, mas tem, agora, certeza de uma coisa: existe algo além das sombras que via. Segundo Platão, algumas pessoas transcendem à Agnose e conseguem chegar a essa etapa, mas não todas.
3ª) Finalmente, a terceira etapa, Episteme, é a etapa do “Conhecimento”. Quando o indivíduo que conseguiu libertar-se de sua cadeia, imposta desde a infância, e, agora, sai definitivamente da caverna, ficando frente a frente com o real, com a verdade. Ele finalmente, “conhece” a verdade e entende perfeitamente que antes, quando na caverna, era um ignorante, vendo sombras e julgando ser a realidade. Segundo Platão, poucos chegam nessa etapa.

Ao se deparar com a Luz da verdade, do conhecimento, identificados na alegoria de Platão pela Luz do sol, o preso que consegue libertar-se das cadeias, já começa a sentir os primeiros problemas causados pelo “conhecimento”:

1)  Seus olhos, agora desconfortáveis,  são ofuscados por conta dos longos anos vividos na escuridão da caverna;

2)  Sente a necessidade, incontrolável de voltar à caverna para tentar soltar seus companheiros de infortúnio, pois o conhecimento da verdade não lhe permite mais viver tranquilamente enquanto lembra-se de outras pessoas, seus companheiros, que ainda estão vivendo  na completa escuridão da ignorância, o que denota a inquietação e responsabilidade trazida pelo conhecimento;

3)  Sofre muita resistência dos seus antigos companheiros de prisão ao tentar abrir-lhe os olhos para que, também, assim como ele, conheçam a verdade. Afinal, é bem mais cómodo ficar na zona de conforto que sair em busca do conhecimento.

4)  Como insiste em levar o conhecimento adquirido adiante, aos outros, é, finalmente, morto por seus próprios companheiros. De facto, muitas vezes o conhecimento poderá ser responsável por traumas irremediáveis.

A decisão por querer conhecer  é algo de extrema responsabilidade e que trás um imenso peso ao ser humano. Chegar ao conhecimento, entretanto,  não é nada fácil. Por isso mesmo, muitas pessoas preferem continuar na comodidade e na inércia da ignorância. É preciso percorrer um longo e árduo caminho para chegar ao conhecimento.

Outra reflexão vinda da religião:

Paulo um dos apóstolos dizia:
- “eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás”  
Paulo passou a viver o conflito existencial que somente aquele que “conhece” vive. A luta agora, depois de ter “conhecido”, é contra o mais difícil inimigo a ser enfrentado: sua própria natureza, que teima em fazer aquilo que a sua própria consciência, agora espiritual, lhe diz para não fazer:
- Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. 
Resultado: tristeza, frustração, decepção, sentimento de impotência e insatisfação. Tudo isso descrito num profundo brado de lamento e melancolia por ter chegado ao “conhecimento” que chegou. 
Conclusão: Paulo: “Desventurado homem que sou! 



Na minha visão radical, ao reconhecer a guerra interior e o facto de se acharem cativos do pecado os crentes exclamam-se muitas vezes: “Desventurado homem que sou!” 

É verdade que dizemos com frequência "porque raio eu quis eu saber de mais", e repetimos isto sempre que a verdade que descobrimos e o conhecimento que adquirimos mostra-nos uma realidade mais difícil do que imaginávamos no passado.

Tal como na Teoria do Conhecimento a verdade é que uma vez iluminados pela luz da verdade, nunca mais conseguiríamos viver novamente na escuridão da ignorância.
Tendo em conta as dificuldades de conviver com o conhecimento, o que faríamos “se pudéssemos aconselhar o ignorante?” Diríamos para continuar na sua ignorância para não se arrepender de ter conhecido? Estaríamos a ser correctos ao fazer isso?
Então, mas ignorância é Felicidade, ou Não?
A resposta fácil e básica é esta, e é resultante dos estudos que fiz para escrever sobre isto:
- Depende do que cada um de nós entende por Felicidade! 
- Depende do objectivo da nossa vida. 
Se nosso objectivo é a uma vida tranquila, podemo-nos manter alheios ao conhecimento e a seus preceitos. 

Na minha opinião;
Se há alguma possibilidade da ignorância trazer felicidade, eu prefiro a dor do conhecimento à louca sensação de paz e tranquilidade que a ignorância aparenta. Detesto a estranha sensação em que tudo parecer real, enquanto sabemos que na realidade "são apenas sombras".
Preferir as sombras à verdade, quando temos a possibilidade de conhecer a verdade, é um ato tão louco quanto pode ser.

Mas o medo de sabermos que saindo das sombras nunca mais vamos querer voltar para elas, leva meio mundo a continuar a achar que a ignorância é felicidade.

Frase 10


- Eu não aceito reuniões. Eu marco-as!

- E o meu respeito não é exigido. É ganho!