Live fast die young...
Vemos a
juventude a evaporar-se por entre os raios de sol, temperaturas intensas e um
rasto de poluição.
Cresci
a achar-me um herói, porque nasci livre e com capacidades acima da
média. Tinha pena dos meus avós, que dividiram uma sardinha pelo numero de
irmãos, casaram cedo, serviram na casa dos Senhores Ricos e nunca viajaram para
muito longe da terrinha.
Tinha
pena dos meus pais, que tiveram que percorrer caminhos difíceis e ingratos,
racionalizar os gastos, evitar saídas para festas e viagens pelo país para
poder ter algo que pudessem dizer que era deles e dar a mim e ao meu irmão uma
educação digna e preparando-nos para o futuro.
Tinha pena
de todos os que não sabiam mexer num computador, escreviam corretamente ou
falavam uma língua estrangeira.
Era uma vez
uma geração, dita a mais bem preparada de sempre… Que crescia criativa, livre,
feliz pelas oportunidades que viam no futuro risonho que os esperava. Uma
geração que domina Inglês, Francês e Espanhol. Frequentou as melhores escolas,
entrou nas melhores universidades e escolheu os cursos que mais gostavam.
Conseguiram os melhores estágios. Alguns até efectivaram. Ficaram orgulhosos, e com razão.
Houve
até alguns que não pararam de aprender, tiraram uma pós-graduação, a
especialização, o mestrado e o MBA.
Os diplomas
enchiam os seus currículos.
Era
uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o
que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os avós ganharam durante a
vida toda. E aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam sequer ganhar.
Uns
verdadeiros heróis. Ninguém poderia deter esta ambição. A experiência crescia
diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais
gorda.
Esta
é a minha geração…
O problema
é que o auge está cada vez mais longe. A meta está cada vez mais distante. Sou
como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
Chegamos
a um ponto em que já não conseguimos saber qual é a meta, o sonho e as ganas,
nem distinguir até onde vai a ambição, a ganância, o que é necessário e o que é
um vício.
O
dinheiro que está na conta dá para muitas viagens. Dá para visitar aqueles
amigos que gostamos e não vemos há muito tempo. Dá para realizar o sonho de
conhecer a Austrália. Dá até para ir ao Polo Norte.
Pois,
mas neste mundo temos de definir “prioridades”! E estas acabaram sempre por
ficar para trás.
Em
tempos pensava que no futuro conseguiria comprar saúde, amor e família.
Acreditava vivamente que uma hora de corrida poderia compensar todo o mal que
fazia dia após dia, incluindo fins de semana ao próprio corpo.
Com
20 anos tomava antigripine, gorosan e QI plus.
Aos 25 era
o compensan, benuron e brufene.
Aos 30 são
os Bromalex e Alprazolan.
Sou de uma
estranha geração que toma café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Os
pensamentos variam entre o sim e o não. Consegues fazer? Sim. Cumpres o prazo?
Sim. Chegas mais cedo amanhã? Sim. Sais mais tarde? Sim. Queres demonstrar
trabalho e receber um aumento? Sim.
Mas
para outras coisas na vida, costuma ser não!
Aos
20 não tinha uma vida saudável para conseguir estudar para os exames da
universidade; ingeria cafés, redbul e fazia um isolamento total do mundo
durante um meses.
Aos
25 não pensava em namorar porque eu queria crescer profissionalmente e ser
promovido.
Aos
30 não fui ao casamento e aniversário do melhor amigo porque estava longe.
Aos
35/40 não verei tal como já acontece a outros da minha geração, o filho andar
pela primeira vez. Ou porque continuarei longe ou quando então chegar a casa,
ele já dorme, e quando sair ele ainda não acordou.
Às
vezes, paro e penso se a vida dos meus pais e avós era assim tão má quanto
parecia.
Por
um instantes quando distraído chego a pensar que se estivesse a pagar uma casa
aos poucos, ou até viver na casa dos pais, namorar e viver com aquela vizinha
que sempre foi doida por mim, ir à missa todos os domingos e permanecer no
mundo rural não teria sido a melhor opção.
Mas
isso já é um pensamento de doido, não vale a pena perder tempo com pensamentos
tão fúteis. Neste momento já sou escravo do câmbio automático, dos bons vinhos,
dos bons hotéis, das grandes festas, das curtas viagens mas com espectaculares fotografias que deixam os amigos com inveja, das imagens, das expectativas da
empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
E
era uma vez uma geração;
Que se
considerava muito livre. Ela tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores
cargos, tinha dinheiro.
Mas “só”
não tem controlo do próprio tempo. Não vê que os dias voam.
“Só” não
percebe que a juventude está a evaporar e o dinheiro que embeleza a conta no
final do ano, nunca os irá trazer de volta.
Ps: A originalidade deste Post não é minha, mas revi-me de tal forma nele que decidi adapta-lo à minha própria vida...