segunda-feira, 29 de junho de 2015

Será que abusei do tempo?

Estes últimos dois meses foram dois dos meses mais terríveis, que alguma vez tive em toda a minha vida. Não sei se o meu cérebro consegue aguentar muitos mais meses assim. 
Dizem que depois da tempestade vem a bonança, assim espero, porque no próximo mês terei a oportunidade de começar uma vida nova. Novos projectos, novas rotinas, novos sonhos e assim vou tentar arrumar definitivamente algumas questões do passado. Arrumar não é esquecer, porque o que foi bom é para ser recordado e o que foi mau vou procurar aprender com ele, de modo a evitar que erros idênticos se repitam. 
Foram dois meses em que me vi confrontado com problemas de ordem profissional e emocional.  Dois meses em que tive de batalhar, optar e por fim decidir. 
Ameaçado de despedimento, de dispensado, tive de ir para o mercado procurar um novo projecto, onde os meus conhecimentos pudessem ser úteis e eu recompensado por isso. No inicio foi uma batalha árdua. Primeiro a busca de uma oportunidade, depois a dificuldade da escolha. Não é nada fácil escolher! Abdicar de algo, ou optar por um projecto em detrimento de outro. Todos eles têm coisas boas e más, mas conseguir chegar a uma escolha e depois não pensar mais na outra hipótese é algo que exige muito do nosso cérebro. 
A juntar a esta dificuldade, surgiram outras muito difíceis, as emocionais.
Num mês(Junho de 2015) em que aquela que eu penso ser a pessoa mais perfeita do mundo, mais uma vez disse-me que seguiu o seu caminho. Voltei a parar de sonhar! Já não posso imaginar-me a envelhecer ao seu lado, nem tão pouco idealizar a perfeição da nossa descendência.
A juntar a tudo isto, tenho os amigos, aquilo que de mais precioso temos, alguns revelam-se intransigentes, incompreensíveis e intolerantes com este meu momento. Não me toleraram os erros do quotidiano e encontraram pretextos para mais uma vez virarem-me as costas, fazerem-me sentir abandonado e com saudades deles. Conseguiram!
As diversas coisas que me martirizam nos últimos meses têm algo em comum, a coisa mais preciosa e incontrolável no mundo. O tempo. E agora questiono-me;
-Será que abusei do tempo? 

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