Longe vão os tempos em que durante um ano vivia quatro estações; primavera, verão, outono e inverno.
Nasci no mês do desabrochar das flores, dos campos verdejantes e do chilrear, acasalamento e desaninhar dos passarinhos. Era a mais linda das estações do ano, a Primavera.
Com a chegada do outono, as folhas secavam, amarelavam e caiam das árvores. Os miúdos metiam a mochila ás costas e partiam para o inicio de mais um novo ano lectivo. Era a festa das vindimas, e a seguir a das castanhas. A caloirada identificava-se ao longe, a animação das praxes estava de volta!
Havia ainda mais duas grandes épocas anuais, elas são estações opostas; a do frio e a do calor, a do casaco e a da t shirt, a da neve e gelo, e a da praia e das festas populares. Se uma tinha o calor da ternura familiar em torno da fogueira de Natal, a outra tinha o retorno dos emigrantes à sua terra para aí reencontrarem os seus entes queridos e juntos comemorarem as festividades da região.
Pois é! Longe vai o tempo em que vivia o intercalar destes momentos. Só quando deixamos de os viver é que lhe damos o real valor(onde já ouvi isto!). E como nos sentimos livres ao observar a riqueza que a nossa mãe, a natureza, nos dá!
Há algum tempo, prometi para mim mesmo que, passaria a apreciar os detalhes das boas vibrações do dia a dia, que esta vida me proporciona.
"Hoje depois de acordar quando estava a sair de casa reparei que estava sol, um sol quente e tórrido, não foi daqueles dias em que senti estar dentro de uma estufa sem plástico, mas senti que estava um dia bonito digno de registar. "
Aqui não são quatro as estações do ano, mas somente duas; a época das chuvas, sol e calor, e a época das nuvens e da não chuva e de algo que ás vezes lhe poderemos chamar de frio. Finalmente "penso eu" acabou a época em que as nuvens permanecem no céu durante semanas e a não permitem, depois de acordar, sair à rua e observar o amarelo, do lindo sol, que eu tanto gosto!
Como diz o Marco Polo no livro "a saga de um pensador","as coisas mais importantes da vida são simples e fáceis de adquirir." e que "as grandes ideias surgem da observação dos pequenos detalhes", não há que ter medo de "abraçar as árvores", "contemplar a natureza", fazer poesia ou dizer o quanto "ama-mos quem ama-mos". Nesta vida exigimos de mais, quando o que deveríamos fazer "é dar o melhor de nós ao outro sem esperar retorno".
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