Como já havia referido numa publicação anterior, eu tenho uma segunda profissão, V.I.P - Serviços de Aconselhamento e Apoio! Não me queixo muito, porque gosto de ocupar os meus tempos livres e se for a ajudar as pessoas, isso é óptimo! Até se torna numa actividade extra bastante interessante, pois acabo por entender cada vez melhor a mente humana e sua previsibilidade.
Nesta semana chegou-me um caso às mãos bastante complicado. Isto porque trata-se de uma cliente habitual, a qual também é uma cliente bastante amiga. Penso que de todas as clientes que tenho é aquela que mais confia em mim e do meu desempenho de apoio psicológico.
Tenho a acrescentar que gosto muito dela e quero que ela seja muito feliz. Entretanto estou com sérias dificuldades em definir a melhor das soluções para o problema dela e assim poder aconselha-la.
Ela acabou com o namorado há uma semana(parece que desta vez foi a sério!), o normal é acabar numa semana e reatar na outra. Já não tenho dedos numa mão para contar o número de vezes que a atendi em situação idêntica. Desta vez há uns dados novos que me levam a acreditar que "desta é de vez", pois já houve um email com a rescisão de contrato. Tudo indica que as relações modernas são assim, "ai não atendes o telemóvel, toma lá um email!".
Mas falando seriamente do caso; há algum tempo que eu pressentia que o namoro estava condenado ao fracasso. Este foi mais um daqueles casos em que ela, que é uma rapariga gira, muito gira e muito simpática, apaixonou-se pelos lindos olhos dele, pelo seu porte atlético e ainda pela sua capacidade oradora. Ambos esqueceram os conteúdos! Os sonhos de um não eram os mesmos do outro. Ela queria casar e ter filhos, mas ele já tinha uma filha e a dor da distância dela não lhe permitia pensar em ter mais descendentes. Isto, e à partida era uma barreira difícil de ultrapassar. Mas a paixão é cega e ambos arriscaram no relacionamento, entretanto com o tempo chegaram as cobranças; ela queria ele mais perto dela e ele quando estava chateado ou envolvido no trabalho queria ela longe dele para não a contaminar com os seus problemas. Isto provocava tristeza nela, e nele, não sei, mas talvez também provocasse o mesmo!
Ainda há 1h dei mais uma consulta, custou-me, mais uma vez, ver a amiga inundada de lágrimas e a contar toda a historia, a sequência de passos até chegar a este ponto(o normal, homem a afastar-se e a mulher a exigir uma explicação, querer saber o porquê?).
Entretanto, o término do relacionamento não é o que mais me preocupa, porque tal como lhe disse em modo de finalização da conversa("lembra-te que já foste bastante feliz sem ele, por isso e com o tempo, tudo passa!"), mas preocupa-me mais uma outra coisa que ela me disse hoje.
A intenção de, nas férias de Natal, efectuar inseminação artificial.
Sei que ela quer muito ter filhos e antes de namorar já pensava nisso, sei que ela independentemente de tudo será uma excelente mãe, sei que ela já não é propriamente uma jovem, também sei que é natural que nesta fase ela diga que "nunca mais vai querer homens perto dela" e que neste momento não vislumbre um futuro de acordo com o que dito ideal(conhecer alguém, casar e ter filhos). Eu sei disto tudo, mas ela é jovem e há coisas que podem acontecer depressa, outras mais de vagar!
Mas será que ela não se está a precipitar?
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