Há uns dias concorri a uma vaga de emprego. O trabalho era interessante, numa área que há algum tempo anseio trabalhar. Conseguindo essa vaga, eu poderia regressar às minhas origens.
Passou um dia, o telefone tocou e o telefonema chegou!
Eu já estou habituado a estas coisas! Já recebi dezenas de telefonemas onde me fazem por esse meio as entrevistas de emprego... Mas esta foi diferente!
O senhor começou a falar comigo, e demonstrou-se super interessado no meu CV, demonstrava acreditar nas minhas capacidades, até parecia que era ele que me queria convencer a ir trabalhar para a empresa onde ele é o Director dos RH. Entretanto, a meio da entrevista ele diz:
- Sabe, eu não o quero contratar para a vaga que está a concorrer, mas sim para uma outra vaga que temos no Brasil! E sabe mais uma coisa, eu sou da sua terrinha, vi aqui no seu CV.
Estava tudo a correr às "mil maravilhas"... E então começou a descrever o cargo, ponto por ponto! Cada vez se tornava mais interessante, por momentos entrei no espírito, e já me imaginava, no Brasil, a gerir uma cadeia de hotéis, bem juntinhos à praia! Três deles eram na cidade maravilhosa, um em São Paulo, e mais 3 em cidades turísticas, aqueles que ao lado têm calor, areia, mar, espreguiçadeira, agua de coco e bikinis! Naquele momento eu tinha subido acima das nuvens...
Entretanto, surgiu uma outra pergunta, que parecia ser de rotina, por mera curiosidade:
- Então, só para me enquadrar. Quanto é que você ganha aí, e quais as suas regalias?
- Ora, as meu salário é xxxx, e as minhas regalias são estas...
E foi como se, do lado de lá, a chamada tivesse caído... e a voz simpática, confiante e aliciante passou a distante, com vontade de desligar o telefone o mais rápido possível!
Daquela boca só saía repetidamente a seguinte frase:
- Você aí ganha muito....Você aí ganha muito...
Eu bem que tentava dizer, que tudo era negociável! Mas, do outro lado continuava a ouvir repetidamente:
- Você aí ganha muito, nossa proposta nem de perto nem de longe chega ao seu salário.
Entretanto, ficamos de agendar uma entrevista pessoal, mas não acredito que o homem volte a falar comigo.
PS: Será que tenho de dizer que ganho menos do que na realidade ganho!? É que eu estava habituado a fazer precisamente o contrário!
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