quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A triste geração que virou escrava da própria carreira...


A triste geração que virou escrava da própria carreira

Live fast die young...

Vemos a juventude a evaporar-se por entre os raios de sol, temperaturas intensas e um rasto de poluição.
Cresci a achar-me um herói, porque nasci livre e com capacidades acima da média. Tinha pena dos meus avós, que dividiram uma sardinha pelo numero de irmãos, casaram cedo, serviram na casa dos Senhores Ricos e nunca viajaram para muito longe da terrinha.
Tinha pena dos meus pais, que tiveram que percorrer caminhos difíceis e ingratos, racionalizar os gastos, evitar saídas para festas e viagens pelo país para poder ter algo que pudessem dizer que era deles e dar a mim e ao meu irmão uma educação digna e preparando-nos para o futuro.
Tinha pena de todos os que não sabiam mexer num computador, escreviam corretamente ou falavam uma língua estrangeira.
Era uma vez uma geração, dita a mais bem preparada de sempre… Que crescia criativa, livre, feliz pelas oportunidades que viam no futuro risonho que os esperava. Uma geração que domina Inglês, Francês e Espanhol. Frequentou as melhores escolas, entrou nas melhores universidades e escolheu os cursos que mais gostavam. Conseguiram os melhores estágios. Alguns até efectivaram. Ficaram orgulhosos, e com razão.
Houve até alguns que não pararam de aprender, tiraram uma pós-graduação, a especialização, o mestrado e o MBA.
Os diplomas enchiam os seus currículos.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os avós ganharam durante a vida toda. E aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam sequer ganhar.
Uns verdadeiros heróis. Ninguém poderia deter esta ambição. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais gorda.
Esta é a minha geração…
O problema é que o auge está cada vez mais longe. A meta está cada vez mais distante. Sou como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
Chegamos a um ponto em que já não conseguimos saber qual é a meta, o sonho e as ganas, nem distinguir até onde vai a ambição, a ganância, o que é necessário e o que é um vício.
O dinheiro que está na conta dá para muitas viagens. Dá para visitar aqueles amigos que gostamos e não vemos há muito tempo. Dá para realizar o sonho de conhecer a Austrália. Dá até para ir ao Polo Norte.
Pois, mas neste mundo temos de definir “prioridades”! E estas acabaram sempre por ficar para trás.
Em tempos pensava que no futuro conseguiria comprar saúde, amor e família. Acreditava vivamente que uma hora de corrida poderia compensar todo o mal que fazia dia após dia, incluindo fins de semana ao próprio corpo.
Com 20 anos tomava antigripine, gorosan e QI plus.
Aos 25 era o compensan, benuron e brufene.
Aos 30 são os Bromalex e Alprazolan.
Sou de uma estranha geração que toma café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Os pensamentos variam entre o sim e o não. Consegues fazer? Sim. Cumpres o prazo? Sim. Chegas mais cedo amanhã? Sim. Sais mais tarde? Sim. Queres demonstrar trabalho e receber um aumento? Sim.
Mas para outras coisas na vida, costuma ser não!
Aos 20 não tinha uma vida saudável para conseguir estudar para os exames da universidade; ingeria cafés, redbul e fazia um isolamento total do mundo durante um meses.
Aos 25 não pensava em namorar porque eu queria crescer profissionalmente e ser promovido.
Aos 30 não fui ao casamento e aniversário do melhor amigo porque estava longe.
Aos 35/40 não verei tal como já acontece a outros da minha geração, o filho andar pela primeira vez. Ou porque continuarei longe ou quando então chegar a casa, ele já dorme, e quando sair ele ainda não acordou.
Às vezes, paro e penso se a vida dos meus pais e avós era assim tão má quanto parecia.
Por um instantes quando distraído chego a pensar que se estivesse a pagar uma casa aos poucos, ou até viver na casa dos pais, namorar e viver com aquela vizinha que sempre foi doida por mim, ir à missa todos os domingos e permanecer no mundo rural não teria sido a melhor opção.
Mas isso já é um pensamento de doido, não vale a pena perder tempo com pensamentos tão fúteis. Neste momento já sou escravo do câmbio automático, dos bons vinhos, dos bons hotéis, das grandes festas, das curtas viagens mas com espectaculares fotografias que deixam os amigos com inveja, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
E era uma vez uma geração;
Que se considerava muito livre. Ela tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Mas “só” não tem controlo do próprio tempo. Não vê que os dias voam.
“Só” não percebe que a juventude está a evaporar e o dinheiro que embeleza a conta no final do ano, nunca os irá trazer de volta.

Ps: A originalidade deste Post não é minha, mas revi-me de tal forma nele que decidi adapta-lo à minha própria vida...

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