Hoje e com mais calma que na sexta feira passada, consigo falar de um episódio, que poderá vir a acontecer na minha vida. Algo inédito!
Era de manhã, algumas horas depois de ter chegado ao trabalho, estava a fazer uma boa aquisição de moedas locais(aproveitar o cambio informal que me era favorável), quando o meu chefe pediu para eu ir com ele a uma pequena sala de reuniões daqui da sede dos nossos escritórios. No momento fui espontâneamente a acompanha-lo, o meu pensamento ainda nem sequer tinha saído do negócio que estava a fazer. Sentei-me numa cadeira e aguardei que ele se sentasse e me dissesse o que lhe ia na mente.
Verifiquei que ele estava com uma cara diferente, parecia estar receoso de falar comigo! Nesse momento comecei a ficar um pouco assustado!
Então ele começou a falar comigo de mansinho sobre os já conhecidos problemas que a nossa empresa atravessa. Naquele momento eu comecei a ficar cabisbaixo, pois já estava a imaginar o rumo daquela conversa.
Ele disse-me que a empresa estava a atravessar as tais dificuldades já conhecidas por todos, e que eu, que já criei alguns anticorpos aqui na empresa, estava para alguns dos membros da comissão executiva na mira das próximas dispensas, aconselhou-me a não comprar muita moeda local(pois corria o risco de não as gastar), e aconselhou-me a procurar outro trabalho, alegando que ele tentaria tudo para não me deixar cair mas, que da forma que as coisas estão não seria uma tarefa fácil...
Tivemos um diálogo afável, pois já são mais de 5 anos que estamos juntos neste barco, e tenho a certeza que ele lutaria por mim até à ultima gota de seu suor. As minhas palavras finais, depois das naturais criticas à organização da empresa, assim como aos novos cargos e chefias que inventaram foram "o que tiver de ser, será!".
Saí da sala em estado de choque, ainda incrédulo! Eu poderia ser um "dispensado", um daqueles que "não faz falta".
Corri para o Skype e desabafei com grande parte dos meus melhores amigos que se encontravam online... Mas mesmo depois ainda continuava incrédulo!
Enviei email para as empresas que me haviam entrevistado nos últimos tempos, empresas que eu basicamente recusei ao exigir o que seria justo para abdicar do meu espaço de conforto. Informei-as que estava receptivo a uma proposta da parte deles!
Fui-me acalmando aos poucos, entretanto também recebi de seguida a visita de uma das minhas melhores amigas, que quis demonstrar-me que não estava sozinho nesta luta emocional.
Reflecti! A verdade é que as coisas, como estão aqui na empresa, não têm futuro. Talvez seja esta a minha oportunidade de mudar de vida, de trabalho e quem sabe de país!
E agora tenho esta frase na cabeça, dita por alguém num dos dias a seguir:
"Se não nos mandarem embora, quando é que, nós vamos embora?"
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